Carta
Amor,
Hoje acordei estranha.
Talvez sentindo sua falta. Tudo � minha volta recordava sua presen�a: a cama que, por
desleixo, deixei desarrumada at� tarde, lembrava voc� acordando todo alegre e fazendo eu
adiar a dobra do len�ol com seus beijos; o caf� s� com leite cheirava �s manh�s em
que fic�vamos conversando sobre nada, coisas de apaixonados, at� �s onze e algumas
torradas bastavam para fazer o est�mago ag�entar at� o almo�o da tarde. Sua cerveja
ainda est� na geladeira, a lou�a de ontem para lavar. At� o travesseiro esta madrugada
me traiu, fazendo relembrar o perfume das noites frias de inverno onde nos esquent�vamos
juntos.
N�o sei se � saudade
o que sinto; n�o d�i igual. S� sei que � uma vontade louca de ter voc� ao meu lado de
novo, olhar longas horas nos seus olhos, pois s� assim voc� me fazia conhecer seus
segredos, as noites em que voc� fugia de casa e n�o tinha coragem de contar onde fora;
eu sabia.
Mas nada disso
importava; no final de tudo, voc� sempre voltava para mim, procurando consolo nas minhas
l�grimas, carinho no meu ombro machucado. Nunca disse que me amava, ou um dia me amou,
mas inconscientemente eu sabia. Embora eu precisasse ouvir da sua boca que eu estava
certa.
Agora a casa est�
vazia; esgotaram-se todas as hist�rias que escrevemos juntos, romances de trag�dias e de
finais felizes, dramas que nos fizeram chorar e rir; sabemos como terminam todos os filmes
de amor do mundo...tudo. Acabou. N�o ou�o mais sua voz alta denotando nossas bobas e
constantes brigas. Voc� sa�a batendo a porta para nunca mais voltar, e voltava. Eu nem
passava a chave, voc� entrava logo depois; deixava tentarmos mais uma vez. Afinal,
felicidade, para n�s, era aquela que a gente mesmo fazia.
A verdade, agora, �
que reconhe�o a falta que esta casa sente de voc�, o quanto voc� j� est� impregnado
em cada canto dessas paredes. Volte mais uma vez, por favor! � tudo muito vazio sem seus
passos por esse ch�o.
Beijos.